
Viana Rodrigues
da incerteza à superação
Viana Rodrigues, 50 anos, é viúva e mãe de um filho. Ela vive em Nacuo, onde se dedica à agricultura de subsistência, produzindo mandioca, feijão e couve, alimentos que ela utiliza para o consumo da familia e também para gerar alguma renda.
Há alguns anos, Viana começou a notar manchas na pele. A lembrança do seu irmão, que havia tido lepra e que mais tarde veio a falecer, trouxe-lhe medo e preocupação.
“Quando comecei o tratamento pensei que também fosse morrer, como o meu irmão. Eu sabia que a lepra tinha cura, mas não sabia onde procurar ajuda. Aqui, quando alguém tem lepra, as pessoas afastam-se. Eu só ouvia falar de Gafaria, o lugar para onde mandavam as pessoas com lepra, e isso assustava-me muito.”
Foi então que Viana conheceu um voluntário da Missão Contra a Lepra, que a escutou e a ajudou a compreender que a doença tinha tratamento e cura. Ele informou que uma brigada médica ia visitar a comunidade em breve para confirmar o diagnóstico dele e de mais alguns membros do povoado.
“As palavras do voluntário me ajudaram a acalmar. Quando a brigada médica veio, o supervisor distrital trouxe os medicamentos e comecei o tratamento. Não foi fácil, mas consegui terminar todas as doses e hoje estou bem.”
A notícia sobre o tratamento e a cura trouxe alívio não só para Viana, mas também para a sua família.
“Os meus familiares ficaram muito alegres. Todos tinham medo porque lembravam-se do meu irmão e achavam que eu também ia morrer. Agora sabem que a doença tem tratamento e que a vida pode continuar normalmente.”
Combater o estigma com informação e inclusão
Viana se recorda de como a discriminação era forte na comunidade:
“Antes, quem tinha lepra não podia partilhar o mesmo copo com os outros. Só de passar na rua, as pessoas falavam mal. Era muito doloroso.”
O trabalho de sensibilização promovido pelos voluntários e grupos comunitários da Missão Contra a Lepra ajudou a mudar esta realidade. Hoje, Viana sente-se respeitada e faz parte de um grupo activo que valoriza a união e a aprendizagem mútua.
A vida de Viana ganhou novo rumo com o apoio do projecto Multiplying Inclusion da Missão Contra a Lepra. Actualmente, ela é membro do grupo de poupança e participa no campo demonstrativo agrícola da comunidade.
“Antes, mesmo quando ganhava algum dinheiro, gastava sem pensar. Não conseguia poupar. Agora aprendi a poupar e a investir melhor. Consigo sustentar a minha casa e tenho planos para aumentar a produção na minha machamba.”
Além disso, Viana foi beneficiária do programa de distribuição de cabritos, o que reforçou a sua segurança alimentar e deu-lhe novas oportunidades de rendimento.
“Recebi um par de cabritos e fiquei muito contente. Atrás da dor e do medo, veio uma coisa boa: conheci os meus companheiros do grupo de autocuidado, da poupança e dos campos de demonstração. Hoje sinto que faço parte de algo importante.”
Uma nova perspetiva de vida
A história de Viana mostra como o Multiplying Inclusion tem mudado a forma como as comunidades lidam com a lepra, combinando saúde, inclusão e desenvolvimento económico.
De uma situação de medo e isolamento, Viana passou a ser exemplo de força, esperança e superação, uma mulher que aprendeu a transformar a sua história e hoje ajuda a inspirar outros.
“O meu plano é continuar a capinar, cultivar e praticar tudo o que aprendi. Quero produzir mais, cuidar da minha família e mostrar que a lepra não define quem somos.”






